A resposta de ontem Como se chamavam as duas irmãs de Mayari? Tala e Hanan. Na tradição tagalog, as três eram filhas de Bathala com uma mulher mortal: Mayari ficou com a lua, Tala com as estrelas e Hanan com a manhã. O folclore filipino registrado no século XX mantém o trio, e Tala segue sendo a palavra tagalog para estrela até hoje. |
Kalevipoeg é o herói do poema épico nacional da Estônia, obra batizada com o nome dele. O médico Friedrich Reinhold Kreutzwald juntou cantos populares estonianos, completou as lacunas com versos próprios e publicou o poema em 20 cantos, primeiro em fascículos entre 1857 e 1861 e depois em livro, em 1862.
A lâmina nasceu na Finlândia. Kalevipoeg cruzou o golfo atrás do feiticeiro finlandês que tinha raptado a mãe dele, Linda, e na volta parou na forja de um ferreiro famoso para encomendar uma espada à altura da sua força. Pagou bem, provou o fio na bigorna e ficou para a festa.
Na festa, bebeu demais. Discutiu com o filho mais velho do ferreiro, e a briga, segundo o poema, nasceu de bravata de bêbado: o herói contou vantagem, o rapaz respondeu, e Kalevipoeg ergueu a espada nova contra ele. O rapaz caiu sem vida no chão da oficina.
O motivo da maldição é dito com todas as letras no poema: o pai perdeu o filho para a lâmina forjada pelas próprias mãos e pediu a ela o mesmo preço contra quem a empunhava. O ferreiro rogou a praga ali mesmo. A espada haveria de trazer a ruína a quem a carregasse.
Kalevipoeg voltou para casa com a arma e com a praga. Os anos passaram, ele virou rei dos estonianos, e a espada ficou na cinta dele em cada luta, sem dar sinal da maldição.
O roubo veio numa noite de sono pesado. Um feiticeiro do lago Peipsi levou a espada enquanto o herói dormia à beira do caminho. A lâmina pesava demais para ele, e ao cruzar o rio Kääpa ela escorregou das mãos do ladrão e afundou.
Kalevipoeg achou a arma no leito do rio e preferiu deixá-la lá, como sentinela. Deu a ordem às pernas de quem a tinha carregado e seguiu caminho, satisfeito com a armadilha.
O vau do Kääpa era passagem conhecida. Gente da aldeia, pastores e guerreiros cruzavam ali a pé, com a água pelos joelhos. A espada ficou deitada no caminho de todos, à espera de um só.
Aqui as leituras do poema divergem sobre a intenção da ordem. Para uns, o herói falou de forma literal e simplesmente esqueceu de si. Para outros, a praga do ferreiro agia por trás das palavras dele e torceu a frase. Esta edição segue a primeira leitura, a mais próxima do texto de Kreutzwald: Kalevipoeg pensou no ladrão e não se incluiu.
O desfecho está no canto 20. Kalevipoeg entra no Kääpa, a lâmina corta as duas pernas na altura dos joelhos e o herói cai. Os deuses o levam ao céu e depois o mandam guardar a porta do Põrgu, o inferno estoniano, montado num cavalo branco, com a mão presa na rocha. O castigo foi exatamente o ditado por ele.
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