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Minos, rei de Creta, cobrava um tributo de Atenas desde que o filho dele, Androgeu, caiu em solo ateniense. Sete rapazes e sete moças embarcavam em cada leva, atravessavam o mar e eram entregues vivos ao labirinto de Cnossos.
O labirinto era obra de Dédalo, o arquiteto da corte. Corredores que dobravam sobre si mesmos, sem eixo e sem repetição, desenhados para que ninguém que entrasse conseguisse refazer o próprio caminho. A ilha inteira sabia da existência dele e ninguém conhecia a planta.
Lá dentro vivia o Minotauro, filho de Pasífae, mulher de Minos, com um touro branco enviado por Posidão. A vergonha da casa real ficou trancada no subsolo do palácio e era alimentada com gente de fora.
Teseu, filho de Egeu, rei de Atenas, se ofereceu para embarcar na terceira leva. Não ia como refém, ia com a intenção declarada de encerrar o tributo. Ariadne, filha de Minos e Pasífae, o viu descer do navio no porto.
Ariadne não procurou os deuses. Procurou Dédalo. Quem tinha construído o labirinto era o único a conhecer a fraqueza dele, e a fraqueza não era força nem coragem: era método. Amarre a ponta na porta de entrada e vá soltando o novelo, disse o arquiteto.
Ela levou o fio a Teseu e cobrou uma condição, sair de Creta junto com ele quando aquilo terminasse. O acordo foi fechado ali mesmo, entre os dois, à noite, sem testemunha nenhuma e sem uma linha escrita.
Teseu amarrou a ponta na entrada e foi soltando linha corredor por corredor. Venceu o Minotauro no fundo do labirinto e refez o caminho de volta recolhendo o mesmo fio, com os treze atenienses da leva atrás dele.
A fuga foi de madrugada. Apolodoro, na Biblioteca (cerca do século I), conta que eles furaram os cascos dos navios cretenses antes de zarpar, para que ninguém pudesse segui-los. Ariadne embarcou com o grupo.
A frota parou na ilha de Naxos, chamada Dia nas versões mais antigas. Ariadne dormiu na areia. Quando acordou, o navio já era um ponto pequeno na linha do mar e não havia mais ninguém na praia com ela.
Catulo, no poema 64 (cerca de 60 a.C.), descreve a cena inteira: a moça na beira da água, as roupas caídas ao redor dos pés, olhando o casco sumir. Ovídio, nas Heroides (cerca de 15 a.C.), dá a ela a carta que Teseu nunca recebeu.
As explicações mudam conforme o autor: vento forte, ordem de Dioniso, esquecimento conveniente. Nenhuma versão registra o momento em que alguém a bordo perguntou onde ela estava.
O resto do trajeto ficou com o nome dele. Teseu esqueceu de trocar a vela preta pela branca combinada com o pai, Egeu viu a vela escura ao longe e se lançou do penhasco. Plutarco, na Vida de Teseu (cerca do ano 100), registra que os atenienses guardaram aquele navio no porto por séculos, trocando tábua por tábua.
Ariadne ficou em Naxos. Dioniso a encontrou na ilha, e a coroa que ele lhe deu virou constelação, a Coroa Boreal. Hesíodo, na Teogonia (cerca de 700 a.C.), diz que Zeus a fez imortal. O nome dela voltou pelo céu, não pelo relato do herói.
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