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A história de Marpessa e Idas aparece inteira na Biblioteca, um resumo dos mitos gregos atribuído a Apolodoro e escrito entre os séculos I e II depois de Cristo. O trecho fica no primeiro livro, capítulo 7, parágrafos 8 e 9. É a versão que esta edição segue.
Idas era filho de Afareu, rei de Messene. Algumas fontes dizem que o pai de sangue era Poseidon, o que explica o carro alado. Tinha um irmão, Linceu, famoso por enxergar através da terra e das pedras. Os dois formavam a dupla mais temida do Peloponeso.
Eueno, o pai de Marpessa, era filho de Ares, deus da guerra. Segundo outros autores tardios, ele desafiava cada pretendente da filha para uma corrida de carros e pendurava a cabeça dos vencidos na parede de casa. Idas não disputou a corrida. Levou a moça antes.
O motivo do rapto, na Biblioteca, é só o desejo de tê-la. O motivo da perseguição é a honra do pai. O motivo de Eueno se lançar ao rio é a vergonha de voltar sem a filha: ele preferiu desaparecer a encarar a derrota.
Apolo entra na história porque também cortejava Marpessa. A Biblioteca diz que o deus encontrou Idas em Messene e tentou tomar a moça dele. Idas reagiu com o arco, e foi esse confronto que Zeus interrompeu.
Zeus separou os dois porque nenhum deles ia ceder, e deixou a decisão com Marpessa. O texto não diz por que o rei dos deuses quis ouvi-la. A leitura comum é que só a escolha dela acabaria a briga sem um deus ferir um mortal favorito de Poseidon.
O motivo de Marpessa está no mesmo parágrafo de Apolodoro. Ela escolheu Idas por temer que Apolo a abandonasse quando ela envelhecesse. O deus continuaria jovem para sempre; ela não. O amor de um imortal por uma mortal tinha prazo, e o prazo era a primeira ruga.
As fontes divergem num ponto. Na Ilíada, canto 9, Homero conta que Apolo chegou a levar Marpessa e que ela chorou como a alcíone, o martim-pescador da lenda grega, ave do lamento. Daí a filha do casal recebeu o apelido de Alcíone. Homero não fala da escolha. A edição usa Apolodoro porque só ele registra a decisão e o motivo.
O desfecho é conhecido. Marpessa viveu com Idas em Messene e teve com ele a filha Cleópatra, que casou com o herói Meléagro. Anos depois, Idas e Linceu brigaram com os gêmeos Castor e Pólux por um rebanho de gado, e os dois irmãos caíram na luta. O viajante Pausânias, na Descrição da Grécia, do século II, registra que Marpessa não quis seguir viva sem o marido.
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