A resposta de ontem Em que dia da caverna a ursa virou mulher? No dia 21. O Samguk Yusa, compilado pelo monge Iryeon por volta de 1281, diz que a ursa guardou o interdito por três vezes sete dias e virou mulher. Os cem dias eram o prazo anunciado; a mudança veio bem antes dele, e o tigre já tinha saído quando ela chegou. |
A história de Branwen, filha de Llŷr, é o Segundo Ramo do Mabinogi, as quatro narrativas em prosa da Gales medieval. Chegou inteira em dois manuscritos: o Livro Branco de Rhydderch, copiado por volta de 1350, e o Livro Vermelho de Hergest, de cerca de 1400. Lady Charlotte Guest publicou a primeira tradução inglesa na década de 1840.
O enredo começa com um pedido de casamento. Matholwch chegou com treze navios a Harlech e pediu a mão de Branwen a Bendigeidfran (Bran, o Abençoado), o irmão gigante dela, rei da ilha. O conselho aceitou, e as bodas foram em Aberffraw, na ilha de Anglesey.
Faltou ouvir uma pessoa. Efnisien, meio-irmão de Branwen por parte de mãe, soube do casamento depois de feito. Ofendido por não ter sido consultado, foi ao estábulo e mutilou os cavalos do rei irlandês: cortou lábios, orelhas, rabos e pálpebras.
O motivo do castigo de Branwen nasce aqui: ela pagou, anos depois, por um insulto feito por outro. Bendigeidfran tentou apagar a ofensa na hora. Deu um cavalo sadio por animal ferido, uma vara de prata da altura dele, uma placa de ouro do tamanho do rosto dele e um caldeirão que devolvia a vida aos guerreiros mortos postos dentro, embora eles voltassem sem fala.
Matholwch aceitou e partiu com a noiva. No primeiro ano, Branwen distribuiu presentes aos nobres irlandeses e foi querida por eles. Deu à luz Gwern, que foi entregue para ser criado fora da corte, como era costume.
No segundo ano, os irmãos de leite do rei começaram a cobrar a afronta dos cavalos. O texto diz com todas as letras: a vingança pelo insulto sofrido em Gales caiu sobre ela. Matholwch cedeu à pressão, tirou Branwen do quarto e a pôs para cozinhar, e mandou fechar o mar para Gales.
Na beira da gamela, ela criou o estorninho. Escreveu uma carta com os castigos e a desonra que sofria, amarrou-a na raiz da asa do pássaro e o soltou rumo a Gales. Ele achou Bendigeidfran em Caer Seint, em Arfon, pousou no ombro do rei e arrepiou as penas até alguém ver o papel.
O rei leu e sofreu. Juntou os homens da ilha e atravessou o mar a pé, porque nenhum barco o comportava. Os porqueiros de Matholwch viram chegar uma floresta sobre a água e, ao lado dela, uma montanha com dois lagos: eram os mastros da frota e o próprio gigante, de olhos abertos.
A paz foi tentada. Matholwch ofereceu o reino a Gwern. Na festa da reconciliação, Efnisien jogou o menino no fogo, e a guerra começou. O caldeirão erguia os irlandeses mortos até Efnisien se deitar entre os corpos, ser lançado dentro e estourá-lo por dentro, partindo o próprio coração.
Da ilha de Branwen, voltaram sete homens e a cabeça de Bendigeidfran, ferido no pé por uma lança envenenada. Ele mesmo mandou cortá-la e levá-la a Londres. Da Irlanda, o texto deixa vivas só cinco mulheres grávidas, numa caverna.
|
|
O padrão do mito pode ser chamado de pedido adestrado. A pessoa sofre, sabe que sofre e passa anos preparando o pedido de ajuda em vez de fazê-lo. Quando o pedido sai, sai perfeito, e o estrago já está feito.
Branwen tinha motivo de sobra para o silêncio. O bloqueio dos barcos era real. Mas o texto deixa ver outra camada: ela não grita, não foge, não suborna um cozinheiro. Escolhe o caminho mais lento e mais seguro, um pássaro que ninguém vai revistar.
“Ela criou um estorninho na beira da sua gamela, ensinou-lhe palavras e explicou ao pássaro como era o irmão dela.” Segundo Ramo do Mabinogi, Livro Branco de Rhydderch, c. 1350 (tradução livre) |
O primeiro traço é o capricho na forma. A carta de Branwen lista castigos e desonra, com clareza. Quem treina o pedido por muito tempo costuma chegar com o relato impecável, as provas organizadas e o tom calmo. A forma demorou o tempo que o socorro não tinha.
O segundo traço é a escolha do canal que não pode falhar. Um bilhete passado a um mercador poderia ser achado. O pássaro, não. Na vida comum, é a mensagem reescrita dez vezes, a conversa ensaiada no chuveiro durante meses, o médico procurado só quando o sintoma já não deixa trabalhar.
O terceiro traço é a normalização do tapa. O açougueiro batia todo dia, depois de cortar a carne. A rotina transforma a agressão em parte do expediente, e o que vira rotina parece poder esperar mais um mês.
O quarto traço é o tamanho da resposta. Quando a ajuda veio, chegou com os homens de uma ilha inteira, porque o silêncio tinha juntado raiva de sobra. Um pedido feito cedo podia ter trazido um embaixador. O pedido tardio trouxe a guerra, e a guerra levou o filho que ela queria proteger.
Há um detalhe a favor de Branwen. Ela não tinha outra saída: era uma estrangeira presa numa corte hostil, longe do filho, com o mar fechado. O mito não a culpa pelo atraso. Mostra o preço que o atraso cobra, mesmo de quem não teve escolha.
Na maioria das vidas, o bloqueio dos barcos é menor. Existe telefone, existe amigo, existe a porta do consultório. O estorninho continua sendo treinado por hábito, por vergonha ou por medo de incomodar quem poderia ajudar.
|