A resposta de ontem O que quer dizer Ullikummi? Ullikummi quer dizer "destruidor de Kummiya" em hurrita. Kumarbi batizou o filho com a própria missão: Kummiya era a cidade de Teshub, o deus da tempestade, e o gigante de diorito nasceu para arrasá-la. A leitura está na edição da Canção de Ullikummi que Hans Gustav Güterbock publicou em 1952. |
O épico vem dos banyanga (o povo nyanga), que vivem na região de floresta do Kivu, no leste da República Democrática do Congo. O antropólogo Daniel Biebuyck e o linguista Kahombo Mateene gravaram a versão completa do bardo Candi Rureke em 1956 e a publicaram em 1969 pela University of California Press.
A narrativa não gasta muita frase com o motivo de Shemwindo. Ele decreta a proibição e pronto. Biebuyck, no estudo que acompanha a tradução, lê o decreto como medo de sucessão: um filho homem herdaria o cetro e a aldeia, e o chefe não queria dividir nem passar adiante o poder. É essa a leitura que a edição usa.
Daí a gravidez da preferida ter virado ameaça. Ela carregou a criança muito além do tempo comum, e o menino, dentro da barriga, já escolhia por onde ia sair. Não quis o caminho de sempre. Saiu pelo dedo médio, segundo o texto, para não ser confundido com nenhum outro bebê.
Trouxe dois objetos. O primeiro era um conga, cetro de rabo de búfalo usado como espanta-moscas pelos chefes nyanga, que nas mãos de Mwindo devolvia a vida e desviava golpes. O segundo era um saquinho de pele com uma corda da sorte.
Os bardos chamam o herói de Kabutwa-kenda, que quer dizer o pequeno que, nascido, já andou. O título resume o motivo do assombro: ele chegou sem precisar de ninguém para o primeiro passo.
As lanças falharam diante do conga. O tambor foi a segunda tentativa, e o motivo da escolha é prático: lança se desvia, mas um tronco lacrado e jogado na água afastava o menino sem que ninguém precisasse sujar as mãos de novo.
Dentro do tambor, Mwindo não ficou parado. Nadou o tambor rio acima, contra a correnteza, procurando Iyangura, irmã do pai, casada com Mukiti, uma grande serpente das águas. Foi a tia que o tirou de lá e o reconheceu como sobrinho.
Depois disso, Mwindo voltou a Tubondo para enfrentar o pai. Shemwindo fugiu para o mundo de baixo, terra de Muisa, senhor dos mortos. Mwindo desceu atrás dele, passou por provas de Muisa e trouxe o pai de volta à superfície.
O desfecho do primeiro grande ciclo surpreende quem esperava vingança. Mwindo não executa Shemwindo. Recebe a metade do reino, o pai fica com a outra, e a aldeia é refeita. O filho proibido devolve ao pai a vida que o pai tentou tirar dele.
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