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A versão mais conhecida do mito foi registrada pela pesquisadora americana Aileen O'Bryan, que ouviu o narrador diné Sandoval em 1928 e publicou o relato em 1956, no livro The Diné: Origin Myths of the Navaho Indians (Os Diné: mitos de origem dos índios navajo). A antropóloga Gladys Reichard descreve esse Deus Negro em Navaho Religion (Religião navajo), de 1950.
As fontes divergem sobre quem segurava a manta. No relato de Sandoval, quem distribui as estrelas é o Primeiro Homem, Áltsé Hastiin, com a ajuda da Primeira Mulher. Nas versões que os narradores diné mais contam hoje, a tarefa é do Deus Negro. Esta edição segue a do Deus Negro; o resto da trama coincide nas duas.
O Deus Negro é o dono do fogo e um dos mais velhos entre os Santos Povos, os seres que vieram antes dos humanos. Reichard o descreve como lento de propósito, um velho que anda devagar e fala pouco. Na têmpora ele carrega Dilyéhé (as Plêiades), o primeiro grupo de estrelas que pôs no céu, preso ali como prova do ofício.
O motivo da lentidão é dito com todas as letras na tradição: cada estrela era uma lei. O céu servia de livro para um povo que não escrevia, e o desenho precisava ficar legível para sempre. Uma estrela fora do lugar seria uma regra torta, lida errado por gerações.
Por esse cuidado, o Deus Negro pensava cada ponto antes de soltá-lo. Escolheu onde ficaria a estrela do norte, que guia quem viaja à noite. Desenhou o Giratório Masculino e o Giratório Feminino para ensinar que marido e mulher dividem a mesma casa sem um tomar o lugar do outro.
O Coiote chegou no meio do trabalho. Nas versões mais antigas, ele se ofendeu por não ter sido chamado para a criação. Pediu uma estrela só dele e a colocou sozinho, ao sul: é Ma'ii Bizò' (a Estrela do Coiote), que muitos astrônomos identificam com Canopus, embora a correspondência não seja unânime, porque as fontes diné descrevem posição e cor sem coordenadas.
O Coiote jogou a manta porque não aguentou esperar. Na versão desta edição, a ofensa abre a cena, mas o gesto final nasce da impaciência: ele olhou para a quantidade de pedras ainda no couro, fez a conta de quantas noites faltavam e decidiu acabar ali.
Ele agarrou a manta pelas pontas e sacudiu. As pedras de mica subiram todas juntas, bateram no escuro e grudaram onde caíram. Nenhuma recebeu nome. Nenhuma ganhou função.
O Deus Negro olhou para o estrago e não pôde desfazer. Uma estrela posta no céu não volta para o couro. O borrão branco ficou, e as leis que aquelas pedras deveriam guardar nunca foram escritas.
A tradição diné tira daí a explicação para a confusão do mundo: parte da ordem prevista ficou faltando porque o Coiote não esperou. Por respeito, os diné só contam histórias do Coiote no inverno, entre a primeira geada e o primeiro trovão.
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