A resposta de ontem Quem Shamiram pôs no trono da Armênia depois da farsa? O filho do próprio rei, também chamado Ara e apelidado Kardos, então com 12 anos. Segundo Moisés de Corene, na História da Armênia (livro I, capítulo 15), Shamiram o nomeou governante do país, e a linhagem de Ara seguiu no trono sob a tutela da rainha que o derrotara. |
A história de Tawhirimatea, o deus maori dos ventos e das tempestades, chegou ao papel pela mão de Wiremu Maihi Te Rangikaheke, chefe da tribo Ngati Rangiwewehi. Ele escreveu o relato em maori para o governador George Grey, que o publicou em 1854 em Nga Mahi a nga Tupuna (Os Feitos dos Antepassados) e o traduziu para o inglês em 1855, em Polynesian Mythology.
Na versão de Te Rangikaheke, os irmãos são seis. Tane, senhor das florestas e das aves. Tangaroa, senhor do mar e dos peixes. Rongo, das plantas cultivadas. Haumia, das raízes silvestres. Tumatauenga, da guerra e dos homens. E Tawhirimatea, do vento. Outras tribos contam os filhos de outro jeito, algumas com dezenas deles; a edição segue o texto de 1854.
Foi Tumatauenga quem propôs matar os pais. Tane recusou e sugeriu afastá-los: deixar o céu longe, como um estranho, e manter a terra perto, como mãe que alimenta. A ideia de Tane venceu, e quatro irmãos se juntaram a ela.
Tawhirimatea foi o único a votar contra. O texto dá dois motivos, e a edição usa os dois. Ele sofria com a ideia de ver o pai e a mãe separados, e temia que, com o céu erguido, o reino dele fosse derrubado.
A separação começou sem ele. Rongo empurrou e não conseguiu. Tangaroa e Haumia também tentaram. Tumatauenga cortou com o machado os tendões que prendiam o casal, e mesmo assim o céu não subiu.
Tane então firmou a cabeça na mãe, ergueu os pés contra o pai e empurrou devagar, sem parar. Rangi e Papa gritaram de dor. O céu subiu, e a luz caiu sobre os filhos que tinham crescido no escuro.
Assim que viu o pai no alto, Tawhirimatea foi atrás dele. Lá em cima, os dois combinaram a vingança, e o deus dos ventos criou os filhos que usaria na guerra: os ventos dos quatro pontos, as nuvens densas, as nuvens de fogo, os furacões.
O primeiro alvo foi Tane, o autor do empurrão. Os ventos desceram sobre as florestas e quebraram as árvores maiores ao meio, deixando os troncos no chão para os insetos.
Depois veio Tangaroa. O mar se ergueu em ondas, e os filhos do deus do mar se dividiram de medo: os peixes fugiram para o fundo, os répteis correram para a floresta. Desde essa fuga, segundo o relato, Tangaroa e Tane brigam, porque um abrigou os desertores do outro.
Rongo e Haumia se salvaram porque a mãe os escondeu dentro do próprio corpo. Só Tumatauenga ficou de pé contra a tempestade, e Tawhirimatea nunca conseguiu derrubá-lo.
A guerra não terminou. No relato, Rangi chora sobre a terra, e o choro é a chuva e o orvalho. Papa suspira para cima, e o suspiro é a névoa. Tawhirimatea segue descendo em tempestade contra as florestas do irmão.
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O padrão que o mito descreve ganha nome nesta edição: a separação sem assinatura. Acontece quando a família muda de forma, de modo grande e sem volta, e um dos membros, que votou contra, passa a vida atacando a mudança.
Tawhirimatea tinha razão em parte. A separação doeu. Rangi e Papa gritaram, e o céu chora até hoje no mito. Quem vota contra uma separação costuma enxergar uma perda verdadeira, que os outros preferem não olhar.
O problema começa depois da votação. O deus dos ventos não discute com os irmãos; ataca as obras deles. Ele não derruba Tane, derruba as árvores de Tane. A raiva contra a decisão vira raiva contra cada fruto dela.
Na vida comum, o padrão aparece no filho que nunca aceitou o divórcio dos pais e, adulto, estraga cada Natal da casa nova. Aparece no irmão que perdeu a votação sobre a venda da casa da família e, vinte anos depois, ainda cobra a escolha em cada almoço. Aparece no sócio que foi contra a mudança de cidade e despeja a ventania em cada projeto da sede nova.
“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Liev Tolstói, Anna Kariênina, 1877 |
Tolstói abre o romance com essa frase porque a infelicidade de cada casa tem forma própria. A do deus dos ventos tem uma forma precisa: a fidelidade a um arranjo que já acabou. Ele subiu para ficar com o pai e escolheu um lado de uma família que não existe mais como era.
Há um segundo traço, mais discreto. Tawhirimatea ataca quase todos os irmãos, mas não alcança Tumatauenga, o que tinha proposto o pior. A fúria de quem não assinou raramente acerta o responsável. Acerta quem está mais exposto, e nas famílias quem leva a rajada costuma ser o mais frágil.
O terceiro traço é o tempo. A tempestade não traz o pai de volta. Depois de gerações de ventania, no mito, o céu continua no alto. A raiva não desfaz a separação, só mantém o luto em movimento.
Há também um ganho escondido, e ele explica por que o padrão dura. Enquanto ataca, Tawhirimatea continua perto do pai, ocupado com ele, leal a ele. Largar a tempestade pareceria trair o céu.
O sinal de alerta é simples. Se você ainda discute uma decisão de família tomada há anos, e as árvores que caem são de quem nem estava na sala, a tempestade virou o seu jeito de ficar com quem foi embora.
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