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Tawhirimatea votou contra e virou tempestade

Os irmãos ergueram o céu e soltaram a luz, e o deus dos ventos, o único contra, desce até hoje sobre as florestas de Tane

Tawhirimatea desce em tempestade sobre a floresta

O deus dos ventos sobre as árvores de Tane

▼

Dentro do abraço, o ar era úmido e morno, e cheirava a terra molhada. Não entrava luz. Os filhos viviam deitados, encolhidos entre o peito do pai e o ventre da mãe, sem espaço para ficar de pé.

O pai era Rangi, o céu. A mãe era Papa, a terra. Na tradição maori da Nova Zelândia, os dois estavam abraçados desde o princípio, tão colados que os filhos cresceram no escuro, sem nunca ver o dia.

Os filhos eram deuses. Um cuidaria das florestas, outro do mar, outro das plantas cultivadas, outro das raízes silvestres, outro da guerra. E havia Tawhirimatea, o deus dos ventos e das tempestades.

Cansados da escuridão, os irmãos se reuniram para decidir o destino dos pais. A primeira proposta foi violenta: matar os dois e acabar com o aperto. Outra voz pediu menos, separar o casal, empurrar o céu para cima e deixar a terra embaixo, como mãe que alimenta.

A proposta da separação ganhou. Um por um, os irmãos concordaram. Só um disse não.

Tawhirimatea votou contra. Não aceitou que o pai e a mãe fossem afastados, e não escondeu a raiva quando percebeu que os outros iriam em frente mesmo assim.

Os irmãos tentaram. Falharam um depois do outro, até que um deles deitou de costas, apoiou a cabeça na mãe e os pés no pai e empurrou durante muito tempo. O céu subiu. A luz entrou pela primeira vez.

Os que ficaram embaixo viram o mundo nascer. O que tinha votado contra subiu atrás do pai.

Desde então, segundo os maori, ele desce. Desce em rajada e em chuva de pedra, arranca árvores pela raiz e levanta ondas do tamanho de morros. Não procura qualquer um. Procura as florestas do irmão que empurrou.

Logo abaixo, quem contou essa história, por que o deus dos ventos nunca aceitou o resultado da votação e o que fazer quando a família decide sem a sua assinatura.

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I  O Mito

O voto no escuro

A resposta de ontem

Quem Shamiram pôs no trono da Armênia depois da farsa?

O filho do próprio rei, também chamado Ara e apelidado Kardos, então com 12 anos. Segundo Moisés de Corene, na História da Armênia (livro I, capítulo 15), Shamiram o nomeou governante do país, e a linhagem de Ara seguiu no trono sob a tutela da rainha que o derrotara.

A história de Tawhirimatea, o deus maori dos ventos e das tempestades, chegou ao papel pela mão de Wiremu Maihi Te Rangikaheke, chefe da tribo Ngati Rangiwewehi. Ele escreveu o relato em maori para o governador George Grey, que o publicou em 1854 em Nga Mahi a nga Tupuna (Os Feitos dos Antepassados) e o traduziu para o inglês em 1855, em Polynesian Mythology.

Na versão de Te Rangikaheke, os irmãos são seis. Tane, senhor das florestas e das aves. Tangaroa, senhor do mar e dos peixes. Rongo, das plantas cultivadas. Haumia, das raízes silvestres. Tumatauenga, da guerra e dos homens. E Tawhirimatea, do vento. Outras tribos contam os filhos de outro jeito, algumas com dezenas deles; a edição segue o texto de 1854.

Foi Tumatauenga quem propôs matar os pais. Tane recusou e sugeriu afastá-los: deixar o céu longe, como um estranho, e manter a terra perto, como mãe que alimenta. A ideia de Tane venceu, e quatro irmãos se juntaram a ela.

Tawhirimatea foi o único a votar contra. O texto dá dois motivos, e a edição usa os dois. Ele sofria com a ideia de ver o pai e a mãe separados, e temia que, com o céu erguido, o reino dele fosse derrubado.

A separação começou sem ele. Rongo empurrou e não conseguiu. Tangaroa e Haumia também tentaram. Tumatauenga cortou com o machado os tendões que prendiam o casal, e mesmo assim o céu não subiu.

Tane então firmou a cabeça na mãe, ergueu os pés contra o pai e empurrou devagar, sem parar. Rangi e Papa gritaram de dor. O céu subiu, e a luz caiu sobre os filhos que tinham crescido no escuro.

Assim que viu o pai no alto, Tawhirimatea foi atrás dele. Lá em cima, os dois combinaram a vingança, e o deus dos ventos criou os filhos que usaria na guerra: os ventos dos quatro pontos, as nuvens densas, as nuvens de fogo, os furacões.

O primeiro alvo foi Tane, o autor do empurrão. Os ventos desceram sobre as florestas e quebraram as árvores maiores ao meio, deixando os troncos no chão para os insetos.

Depois veio Tangaroa. O mar se ergueu em ondas, e os filhos do deus do mar se dividiram de medo: os peixes fugiram para o fundo, os répteis correram para a floresta. Desde essa fuga, segundo o relato, Tangaroa e Tane brigam, porque um abrigou os desertores do outro.

Rongo e Haumia se salvaram porque a mãe os escondeu dentro do próprio corpo. Só Tumatauenga ficou de pé contra a tempestade, e Tawhirimatea nunca conseguiu derrubá-lo.

A guerra não terminou. No relato, Rangi chora sobre a terra, e o choro é a chuva e o orvalho. Papa suspira para cima, e o suspiro é a névoa. Tawhirimatea segue descendo em tempestade contra as florestas do irmão.

 
 

II  O Diagnóstico

A assinatura que faltou

O padrão que o mito descreve ganha nome nesta edição: a separação sem assinatura. Acontece quando a família muda de forma, de modo grande e sem volta, e um dos membros, que votou contra, passa a vida atacando a mudança.

Tawhirimatea tinha razão em parte. A separação doeu. Rangi e Papa gritaram, e o céu chora até hoje no mito. Quem vota contra uma separação costuma enxergar uma perda verdadeira, que os outros preferem não olhar.

O problema começa depois da votação. O deus dos ventos não discute com os irmãos; ataca as obras deles. Ele não derruba Tane, derruba as árvores de Tane. A raiva contra a decisão vira raiva contra cada fruto dela.

Na vida comum, o padrão aparece no filho que nunca aceitou o divórcio dos pais e, adulto, estraga cada Natal da casa nova. Aparece no irmão que perdeu a votação sobre a venda da casa da família e, vinte anos depois, ainda cobra a escolha em cada almoço. Aparece no sócio que foi contra a mudança de cidade e despeja a ventania em cada projeto da sede nova.

“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”

Liev Tolstói, Anna Kariênina, 1877

Tolstói abre o romance com essa frase porque a infelicidade de cada casa tem forma própria. A do deus dos ventos tem uma forma precisa: a fidelidade a um arranjo que já acabou. Ele subiu para ficar com o pai e escolheu um lado de uma família que não existe mais como era.

Há um segundo traço, mais discreto. Tawhirimatea ataca quase todos os irmãos, mas não alcança Tumatauenga, o que tinha proposto o pior. A fúria de quem não assinou raramente acerta o responsável. Acerta quem está mais exposto, e nas famílias quem leva a rajada costuma ser o mais frágil.

O terceiro traço é o tempo. A tempestade não traz o pai de volta. Depois de gerações de ventania, no mito, o céu continua no alto. A raiva não desfaz a separação, só mantém o luto em movimento.

Há também um ganho escondido, e ele explica por que o padrão dura. Enquanto ataca, Tawhirimatea continua perto do pai, ocupado com ele, leal a ele. Largar a tempestade pareceria trair o céu.

O sinal de alerta é simples. Se você ainda discute uma decisão de família tomada há anos, e as árvores que caem são de quem nem estava na sala, a tempestade virou o seu jeito de ficar com quem foi embora.

 

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III  A Saída

Assinar sem concordar

O mito não oferece um Tawhirimatea arrependido. Ele segue soprando. A saída aparece no contraste com os irmãos, que viveram a mesma separação e acharam outro lugar para a dor.

Para quem não assinou uma separação na família, quatro passos:

1. Separe o voto da guerra. Votar contra foi legítimo, e Tawhirimatea tinha motivo. Continuar a guerra contra quem venceu é outra decisão, tomada todo dia, e pode ser revista.

2. Diga a perda em voz alta. Rangi chora em chuva, Papa suspira em névoa: no mito, até os separados têm forma de lamentar sem destruir. Nomeie o que você perdeu para alguém da família, sem acusar.

3. Mire na decisão, não nas obras. Se a raiva tem endereço, ele é a decisão e quem a tomou. Os filhos, os novos parceiros e a casa nova são as árvores de Tane, e nenhum deles votou.

4. Escolha onde morar. Tawhirimatea subiu e ficou com o pai, longe dos irmãos. Ser fiel a um lado não obriga a abandonar o resto da família na terra.

Vale um contrapeso. Há separações injustas, e o mito não pede que quem perdeu a votação finja concordar. Assinar, aqui, quer dizer aceitar que a mudança aconteceu, sem abrir mão de achar que foi errada.

O mito guarda ainda um modelo discreto. Tumatauenga ficou de pé diante da ventania sem subir ao céu e sem fugir para o fundo do mar. Aguentou a rajada, continuou na terra e seguiu vivendo entre os irmãos. Quem não assinou pode fazer o mesmo: sentir o vento inteiro, sem virar vento.

Também vale olhar o outro lado. Tane venceu e pagou: perdeu florestas inteiras e ganhou um irmão em guerra para sempre. Quem conduz uma separação na família costuma esquecer de ouvir o voto contrário com calma antes de empurrar.

A pergunta da edição: qual decisão de família você ainda não assinou, e quais árvores pagam por ela?

Tane, na versão de Te Rangikaheke, explicou o empurrão aos irmãos: “Que o céu fique longe de nós, como um estranho, e que a terra fique perto, como a mãe que nos alimenta.” Tawhirimatea respondeu com vento, e Tumatauenga, o único que aguentou a tempestade, ficou furioso com os irmãos que fugiram e o deixaram lutar sozinho.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

O que Tumatauenga fez com os filhos dos irmãos que fugiram da tempestade?

 
 
Quiz da edição

Qual irmão cortou com um machado os tendões que prendiam Rangi e Papa, sem conseguir erguer o céu?

ARongo, senhor das plantas cultivadas
BTumatauenga, senhor da guerra
CTangaroa, senhor do mar
DTane, senhor das florestas

Resultado da última edição: 50% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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