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O mito pertence aos akan, grupo de povos que inclui os ashanti (axântis, na grafia portuguesa), e circula em várias versões contadas de boca em boca. O historiador das religiões Geoffrey Parrinder o recontou no livro African Mythology (Mitologia africana), de 1967. É essa a versão que a edição segue.
Nyame tem outro nome entre os ashanti: Onyankopon, algo como “o único grande Nyame”, em twi, a língua akan. É o deus que criou o céu e mora nele, acima dos espíritos menores dos rios e das florestas.
O motivo da subida, na versão de Parrinder, é o pilão. A velha batia o fufu com um pilão comprido, e a ponta acertava o deus a cada golpe. Ele pediu que ela parasse; ela não parou. Nyame subiu para não apanhar mais.
As fontes divergem sobre esse motivo. Em outras versões, as mulheres limpavam as mãos sujas de comida no céu, ou as crianças arrancavam pedaços dele para pôr na sopa, ou a fumaça das cozinhas incomodava o deus. A edição usa a do pilão, porque é a única que liga o começo ao fim: o mesmo objeto que afastou Nyame é o que a velha usa para tentar trazê-lo de volta.
O motivo da velha também está dito. Ela queria o céu ao alcance outra vez, como sempre tinha sido. Com Nyame perto, bastava falar para ser ouvida; com ele longe, a aldeia ficava sozinha.
Os pilões dessa história são as gamelas fundas de madeira escavada onde se soca o inhame, pesadas e largas na boca. Empilhadas uma sobre a outra, de boca para baixo, formam uma coluna firme enquanto ninguém mexe na de baixo.
A ordem final também tem motivo. Faltava um pilão só, e não havia outro na aldeia. A velha raciocinou que, tirando o de baixo e pondo no topo, a pilha ganharia a altura que faltava. Esqueceu que o de baixo segurava todos os outros.
A pilha não caiu por falta de pilão; caiu porque o de baixo saiu.
O desfecho está nas versões com todas as letras. A torre desabou sobre quem estava embaixo, e muita gente morreu. Nyame não desceu: ficou no alto, onde os akan dizem que está até hoje.
A queda deixou um costume. O antropólogo britânico Robert Sutherland Rattray descreveu, no livro Ashanti, de 1923, o nyame dua (árvore de Nyame), um poste de madeira com três galhos e uma vasilha no alto, plantado no pátio das casas para receber oferendas ao deus. Quem perdeu o céu ao alcance da mão passou a deixar o pedido numa vasilha erguida.
O nome da velha nenhuma versão guarda. Ela fica só como a velha que batia fufu, e o mito não explica de onde veio a ideia de tirar o de baixo, além da conta errada de quem queria um palmo a mais.
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