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A saída do mito é estreita: trocar a pressão pelo alívio. Ninguém tirou a água de Tiddalik à força. Ele a devolveu quando a guarda caiu.
Para quem convive com uma represa travada, ou percebe uma em si, quatro passos:
1. Pare de cobrar. Se a cobrança já foi feita três vezes, a quarta só aperta a boca. Os animais pararam de pedir água e começaram a fazer o sapo rir.
2. Baixe a sua própria guarda primeiro. A enguia se expôs ao ridículo antes de pedir qualquer gesto do sapo. Contar um erro seu, rir de si, admitir o próprio medo abre espaço para o outro fazer o mesmo.
3. Mude de quem fala. O kookaburra era o bicho mais engraçado do grupo, e falhou. Às vezes a pessoa certa para destravar alguém é a mais improvável, aquela que ninguém achava capaz.
4. Prepare o terreno para a enxurrada. Quando a água voltou, alguns animais quase se afogaram. Quem guarda muito, ao soltar, solta de uma vez. Ouça sem interromper e sem cobrar juros.
Vale um contrapeso. Nem toda represa se desfaz com riso. Há quem guarde por esperteza, e não por medo, e aí a brincadeira vira deboche. O mito trata de um sapo travado, não de um ladrão calculista.
E vale reparar em Tiddalik no fim. Ele termina pequeno, do tamanho de um sapo comum. Soltar a água custou o tamanho que a água dava a ele. Quem devolve o que guardou perde volume, e ganha de novo um lugar no bando.
Repare, por fim, no conselho dos animais. Ninguém decidiu sozinho. A coruja deu a ideia, o kookaburra tentou, o canguru e o emu tentaram, e a enguia só entrou porque o grupo ainda estava ali, de pé, sem ter partido para o ataque. Destravar alguém costuma ser trabalho de muitos e paciência de todos.
O plano também exigiu humildade de quem tinha razão. Os animais estavam certos: a água era de todos. Mesmo assim, escolheram fazer o sapo rir em vez de exigir o que era deles. A razão ficou guardada, e a água voltou.
Fica para você: o que você está segurando que só soltaria se alguém o fizesse rir?
Noyang, na versão gunai recontada em tradução livre, disse aos animais antes de dançar: “Deixem comigo, eu ainda não tentei.”
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